domingo, 5 de outubro de 2008

ô vida...



"É, pode ser que a maré não vire,
pode ser do vento vir contra o cais
e se já não sinto os teus sinais
pode ser da vida acostumar..."


(dois barcos - los hermanos)


Acabo de ter a certeza que minha vida seja um ciclo. A vida é feita de vários ciclos. Mas um deles em especial... meu deus do céu, parece um mega deja vu. Tô cansado.


Ou eu quando falo, falo muita merda... ou sou legal demais pra todo mundo querer amizade... sem falsa modéstia rá-rá!

"fechar um sangramento e chorar só por chorar

cala meu ouvido pois quem cala consente

e se esse for o sentimento pode esperar

que a ira vai voltar

pode esperar, que a ira vai voltar."

(conteiner - mombojó)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em terra de cego, quem tem olho é rei?

Foi o que me veio à cabeça ao assistir Ensaio sobre a Cegueira, apesar da linguagem do cinema não permitir a mínima reflexão um pouco menos superficial pela velocidade da ação e das imagens.

Irei me referir ao livro pelo brilhantismo da obra, que a meu ver, é leitura obrigatória para todo ser humano aprender a ser humano. Todos sempre estiveram cegos e nunca perceberam. A mesma diferença de ver e olhar é também estabelecida em viver e passar pela vida simplesmente, sem dar valor as pequenas coisas que nos fariam falta se o brilho dos olhos nos faltasse. O excesso de informação proporcionado pela visão ofusca a importância que não só essas pequenas coisas, mas as pessoas têm em nossa vida.

Se enxergar seria uma dádiva quando todos estam cegos, é também uma grande responsabilidade, um peso que escraviza.
O início de uma nova ordem social pôs fim a todos os valores previamente estabelecidos. Os códigos sociais são reduzidos à barbárie. Os instintos revelados são os mesmos que escondemos sob máscaras sociais.

A cegueira que representava também a alienação, a necessidade veemente de que todos acordem para modificar a realidade presente. Para provocar algum tipo de mudança social, apenas com o (re)nascimento da sociedade. E para que todos saibam do horror que antes viviam e que viveram, era necessário que apenas um não perdesse a visão, para ensiná-los e guiá-los com os erros cometidos.

A cegueira é diferente da patológica, não poderia ser representada pela escuridão, ou a ausência de cor. Mas como um excesso, a mistura de todas as cores (e coisas) também não mostra coisa alguma. É como se ele dissesse que nós que sempre vemos tudo, não enxergamos nada a nossa volta.

Saramago chama para uma tomada de consciencia do homem perante sua condição no mundo.

Tentar escrever qualquer outro tipo de análise seria pretencioso demais e para tal tarefa sinto-me, porque não, também cego. Cego sim por perceber que mesmo após ter ficado chocado, terem tentado me abrir os olhos, continuo cego. Porque para um cego, tanto faz estar de olhos abertos ou fechados.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Doce solidão

Acabo de voltar no show de Marcelo Camelo em Salvador. Matei a saudade dos Los Hermanos. Foi emocionantes. Voz e violão para Morena (nessa ele se emocionou), Fez-se mar, Pois é, Dois Barcos, Santa chuva.

Me senti como d'antes, recordei a solidão e a tristeza que tinha jogado pra dentro da caixa de pandora. Eu me afastei de Cat Power, Wilco, Los Hermanos... ninguém precisa reviver o sofrimento. Gostaria de viver um amor, mesmo que fosse de buzu, alguém pra ser minha luz, meu iá iá, meu iô iô... assim... bem brega... o amor é brega, que fazer.

A doce solidão fez o velho e o moço em mim se reencontrarem. Só assim pude perceber que o pouco que sobrou eu engoli a palo seco. Quem sabe um dia eu acho um par com o qual eu farei um samba a dois sob uma santa chuva. Apesar de não conseguir encontrar de onde vem a calma perturbadora que me deixou por tempos tão conformado, tenho a esperança que o vento ainda vai soprar a meu favor.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Sou mole, não tô te dando legal"

Adoro o jeito com que ri, mesmo das coisas mais bestas, e acha lindo e fofo as mais bregas. Tem o meu gosto pra música, pros bares, pro trabalho, somos muito parecidos em vários aspectos. Isso me atrai, principalmente porque me vejo refletido na profundidade dos seus olhos verdes. Eles me hipnotizam. Escreveria coisas belíssimas para ela, se as circunstâncias me permitissem. Se eu tivesse me aproximado logo, se não tivesse feito a propaganda do que ainda não era meu, não pensaria em ferir um dos dez mandamentos divinos. Curiosamente, muitas vezes o almoço do vizinho tende a ser mais gostoso do que meu, principalmente quando se está há tanto tempo com fome. Não é todo dia que se acha uma especiaria desse nível. Não é pelo atributo físico – mesmo que fosse, além de eu não poder ser muito exigente, não é nada mal – mas pela pessoa que me encanta a cada dia que tento descobri-la e me desgarrar desses olhos de cigana dissimulada para enfim enxergar a realidade. Sem perceber, devolve o verde e remove os espinhos das plantas do meu quintal. Por enquanto, prefiro acreditar que seja um sopro de esperança muito sedutor, afinal ela é a última que morre, e nada é para sempre.

Obs: as mulheres ao estilo “sou legal, não to te dando mole” me enlouquecem.

domingo, 21 de setembro de 2008

Sem título

Antes ser uma carta fora do baralho, a ser a última. Esta seria sempre uma possibilidade, mesmo que remota. Ela sabe que as possibilidades são ínfimas, mas está sempre pronta, disposta a ser escolhida. Pobre carta... Você é a reserva, sabe disso. Quando todas as outras não mais servirem, ai sim será escolhida. Não entenda isso como uma rejeição, quando na verdade são as circunstâncias, ou a vida. Então é o meu jeito que me afasta de ti? Bem... a verdade é que não és bom jogador... Sei disso, sempre fui do time reserva. O bom jogador que tem o controle da situação, um dia se atrapalha, pois ninguém consegue ganhar sempre. Só com as derrotas ou a necessidade lhe lembrará que muitas vezes a vitória do jogo está lá, naquela última carta. Esse é o meu trunfo.

Novos e Velhos Baianos

Por falar em Novos Baianos, lembrei que Baby Consuelo depois de se tornar evangélica, agora canta jazz, muito bem por sinal - e o cd dela não teve jeito para eu achar na internet.

Todo mundo sabe que ela tem 3 filhas: Zabelê, Nana e Riroca, além de um outro filho que se chama Rock.

Riroca não muito satisfeita com seu nome, entrou na justiça para mudá-lo para Sarashiva ('O.O)

Então as 3 meninas formaram o grupo infame SNZ...
Se tivessem cada uma 1/10 do talento dos pais, o grupo não teriam acabado.
Mas como nesse país todo mundo quer seus 15 minutinhos... parafraseando a música dos Novos Baianos:

"Besta é tu, besta é tu...
Porque não viver?
Não viver esse mundo
Porque não viver?
Se não há outro mundo
Porque não viver?
Não viver outro mundo!"


Então vamo viver
2 álbuns nacionais que ninguém pode deixar de ouvir antes de morrer:

Transa - Caetano Veloso
Acabou Chorare - Novos Baianos

Vide o livro "1001 discos para ouvir antes de morrer".