quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nas cinzas das horas


Conhecimento é poder... e parafraseando homem aranha, um grande poder requer uma grande responsabilidade...
Hoje tenho consciencia de que não precisamos de tanto poder, exatamente porque também não suportamos tanta responsabilidade.
Hoje também tenho certeza de que não era para eu saber tanto de tudo, quando era incapaz de compreender a sua grandiosidade, as adversidades das diversidades.
Hoje já é muito, mas muito tarde para me lamentar pelos erros cometidos pelo excesso de poder, quando fui tomado pela ira e pela fúria, quando o ódio envenenava meu sangue.
Hoje só me restam as "cinzas das horas".

Curiosamente, acabo de ouvir Adriana Calcanhotto cantar numa musica, que eu não conhecia até então, a seguinte frase:


"tenho por principios nunca fechar portas,
mas como manter elas abertas"


Era isso que eu devia ter descoberto há tempo atrás, antes de ser escravo do arrependimento.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Só pra variar... um poema de Fernando Pessoa

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei
com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se
existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me
ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me
ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela
julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros
espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior
realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente
árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas
alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os
homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus
sintetizados num eu postiço."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Você pode fumar baseado

O mal é o que sai da boca do homem
Composição: Pepeu Gomes/Baby do Brasil/Galvão

Você pode fumar baseado
baseado em que você pode fazer quase tudo
Contanto que você possua
mas não seja possuído


Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem...
Porque o mal é o que sai da boca
do homem...

Você pode comer baseado
baseado em que você pode comer quase tudo
Contanto que deixe um pouquinho
um pouquinho de fome

Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem...
Porque o mal é o que sai da boca
do homem...

Você pode beber baseado
baseado em que você pode beber quase tudo
Contanto que deixe um pouquinho
um pouquinho pro santo

Porque o mal nunca entrou pela boca
pela boca do homem
Porque o mal nunca entrou pela boca
do homem...
Porque o mal é o que sai da boca
do homem...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

E quem disse que eu não sei rimar?


quem disse que não sei rimar?

se eu paro num bar
bebo
converso
dos problemas me liberto
deixa a resenha rolar

por favor respeitem
é disso que eu gosto
quando bebo fico lerdo, lento e burro
mesmo que todos você tentem
eu não vou conseguir rimar

não com a mesma naturalidade
daqueles que têm no sangue a arte
da poesia e da prosa
da ginga e do balanço
da nossa baianidade


obs: na verdade, ninguém disse... mas o trauma de não conseguir brincar pode ter sido por pouco me esforçar...

As várias formas de ver o infinito

Não dava nada pelo show do André Abujamra... me surpreendi! Sensacional!

O Infinito de Pé
(André Abujamra)

O infinito de pé são dois biscoitos
O infinito de pé é o número oito
O infinito de pé dois planeta colado
O infinito deitado um óculos quebrado
O infinito de pé duas bolas de sorvete
Um casal de namorado na moto com capacete
Boneco de neve, dois vinhos na adega
Farol de milha de noite quase cega
O infinito deitado olhos de coruja
Dois seres humanos fazendo amor
O infinito de pé é um autorama
Duas pulgas malabaristas no meu cobertor
O infinito deitado cano duplo de espingarda
São os raios de sol nos olhos da namorada

É a linda cauda da baleia afundando
Oitocentos anos infinito lado a lado
Só que um está de pé e o outro deitado
Buraquinhos do nariz as asas da borboleta
Dois irmãos gêmeos no carrinho de mãos dadas com chupeta
O infinito tá de pé o infinito tá (4x)
O infinito deitado janelinha de avião
É o símbolo da paz passarinho a minha mão
É o laço do cadarço para o tênis amarrar
É o beijo na sua boca para o amor alimentar
Ouro sem u e sem r
O infinito é o bigode do francês Pierre
Oco sem c ovo sem v
O infinito é o amor que eu sinto por você
Dois mil e um sem o dois e sem o um
O infinito é uma dupla de sushi de atum
É o reflexo do sol no mar
É a sinuca do bilhar
O infinito de pé é um brinde na taça
Dois buracos na cueca devorados pela traça
Os pneus da bicicleta subindo a ladeira
São os seios da Brigite pra fora da banheira
Dois cocos, duas laranjas, bola de gude bola de meia
O infinito é Jesus Cristo repartindo o pão para os apóstolos na Santa Ceia
Nem todo infinito tem forma pra mim
Einstein Rodchenko Picasso e Tom Jobim
O infinito tá de pé o infinito tá (4x)
O infinito é infinito
O infinito é o amor
O infinito nunca acaba porque nunca começou (bis)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Mal secreto

Mal secreto
(Jards Macalé e Waly Sailormoon)

Não choro
Meu segredo é que sou um rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente

Se você me pergunta: "Como vai?"
Respondo sempre igual: "Tudo legal!"
Mas quando você vai embora
Morro meu rosto no espelho
Minha alma chora

Vejo o Rio de Janeiro
O morro não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado, não fico calado, não fico quieto
Eu choro, converso
E tudo o mais jogo num verso
Intitulado mal secreto

inspiração

"A maconha faz parte da inspiração mística"


(Gilberto Gil justificando para o juiz o uso da marijuana ao ser preso na turnê dos "Doces Bárbaros")